CRÔNICAS PARA LER E PENSAR


Sei que existe muita gente incrédula, que só dificilmente acredita, em curas de algum tipo de doença por meio de benzedura. Mas esse fenômeno muitas vezes incompreendido pode ter uma razoável explicação. Um paciente portador de alguma patologia, imbuído de muita fé e vontade de ser curado acaba sempre encontrando o melhor resultado ao recorrer dessa alternativa. Sou testemunha de ter ouvido depoimentos de várias pessoas que teriam recebido essa cura. Meu irmão Toninho foi um agente que possuía o raro dom de pôr em prática uma simpatia para acabar com a bronquite de muitas crianças que padeciam desse terrível mal. Habilidoso como poucos, recebia pedidos de mães aflitas que dividiam o sofrimento da dor do filho doente, aliás, como é próprio de toda mãe cuidadosa. Muito discreto sem pretender deixar a marca absoluta de curandeiro, ele sugeria uma receita tradicional e multissecular do conhecido xarope com mel e agrião. A par disso, uma fita de cetim da altura exata da criança parece que era a chave principal para erradicar a doença. Depois disso, dar o destino acertado para a fita era mais um detalhe de grande importância nesse ritual. Numa construção de alvenaria, a fita tinha de ser deitada linearmente, e, em meio à argamassa, entre uma fiada e outra de tijolos, era sepultada para sempre; ritualismo curioso e diferente que me faz imaginar, embora sem muita certeza que, tudo isso precisava ser acompanhado de alguma reza, para completar a liturgia. Feito isso, em pouco tempo o portador da bronquite, começava a dar evidentes sinais de melhora, e, mais alguns dias o mal estava debelado. Vejo até hoje, homens e mulheres já formados que não se cansam de agradecer o alvissareiro prazer pela dádiva recebida. Mas a vida é bem assim, em muita coisa a nossa razão não consegue atingir, há mistérios e misticismos inacessíveis e inexplicáveis, e não adianta procurar explicações mais profundas, jamais vamos conseguir desvendar. O certo é que, o dom é uma inspiração que todos nós possuímos, contudo com diversidade de tendência. Descubra o seu, se você ainda não conhece, e utilize-o a serviço do bem e de seu semelhante. Assim, um dia, mesmo não estando aqui, você será saudosa e eternamente lembrado.

 

 

Mário Pascucci – M.T.B. 44983/S.P.

Botucatu, 06 de novembro de 2005.



Escrito por Mário Perini Pascucci às 09h24
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UM SHOW NA LARANJEIRA...

 

Nesta história você não vai encontrar o lirismo de fontes murmurando, do rumorejar das cascatas, muito menos de uma rede preguiçosa. Aqui a paisagem é bem diferente; um barulho incessante de automóveis passando apressadamente pela rua, motoqueiros acelerando potentes máquinas ultrapassando de todos os lados para chegar mais rápido ao destino. Contrastando a estapafúrdia paisagem urbana, apenas gritos e gargalhadas estridentes de crianças, que saltitantes comemoram suas prazenteiras brincadeiras, enquanto outras entoam as mais ingênuas cantigas de roda, ocupando grande parte da calçada. Já estava quase na hora do sol descer, estava na hora também de chegar o nosso habitual visitante de todas as tardes, sempre naquele mesmo lugar. – Lá vem ele! exclamou todo feliz o meu pai. Serenamente, depois de voltear por alguns momentos, faz sua parada naquela mesma laranjeira do  quintal de minha casa. Nosso aguardado ator não dá trégua, seu repertório está mais do que ensaiado e o show já vai começar. Com plumas avermelhadas no peito, elegante e todo imponente lá está o majestoso sabiá. Seu cantar inebriante com notas bem afinadas faz juntar toda família para assistir ao espetáculo. Meu pai, fã número um, numa posição de “gargarejo” faz questão que todos de casa assistam em silêncio com olhares fixos na laranjeira que servia de grande palco. O encanto fascinante e de uma magia quase indescritível daquela melodiosa sinfonia, contagiava a todos que entre um canto e outro arriscavam um único comentário: – Esse cantar apaixonado mexe com a alma da gente, faz aumentar o nosso amor dizia meu pai a minha mãe.  – É verdade, acho também que ele está falando que perdeu sua amada, dizia eu. A noite veio, o show terminou, assim como tudo se acaba nesta vida enchendo nosso coração de saudade. Agora eu sinto mais ainda uma saudade que faz doer no meu peito. Meu pai já partiu e o sabiá não canta mais, só ficaram as lembranças do meu tempo de criança.

 

Abraços,

Mário Pascucci

Jornalista: M.T.B. 44983/S.P.



Escrito por Mário Perini Pascucci às 16h37
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Escrito por Mário Perini Pascucci às 09h23
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O DEUS DA MADRUGADA

 

Muitas das coisas inconsoláveis que ocorrem na vida da gente, difíceis de serem aceitas e entendidas, sempre são chamadas de provações, e para superá-las precisamos mostrar que nossa fé é inabalável por mais dura e aflitiva que possa ser a situação. Se a gente ceder com qualquer sinal de fragilidade, significa que a consistência de nossa confiança no Ser Supremo está estremecida e com isso as coisas tendem a piorar. Não, essa decididamente não é a melhor saída. A existência em cada um de nós, dotado de uma convicção íntima, oferece um rumo certo e infalível para converter esses acontecimentos. É preciso recarregar com uma super voltagem a energia da alma que pode estar sendo debilitada. Recarregar, de uma maneira muito simples, falando com Deus através do nosso Redentor. Faço isso com freqüência e posso assegurar, não existe outro caminho mais curto e certo. Experimente, faça isso em qualquer momento. Eu, particularmente prefiro conversar de madrugada aproveitando minhas constantes insônias. Parece que a madrugada, quando muita gente dorme, Deus está mais desocupado e as coisas todas da natureza por ELE criadas, quase cessam deixando prevalecer o “Barulho do Silêncio”. Fiz isso numa dessas noites, ainda que se ouvia ao longe alguns diferentes sons q         ue teimavam em quebrar a calmaria. Falei, conversei, sem retóricas, bem do jeito que ELE gosta, e, sem demora veio a resposta. Você foi atendido, assim como atendo a todos que pedem e falam COMIGO.

 

 

 

                                                                                 

Abraços, Mário Perini Pascucci

Jornalista - M.T.B. 44983/S.P.

 



Escrito por Mário Perini Pascucci às 11h48
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Folclore e Crendices

Era uma noite de inverno, um frio rigoroso fazia qualquer um tiritar, o vento, lá fora, soprava impiedosamente, balançando galhos, produzindo assovios que causavam uma verdadeira sensação de espanto, obrigando a todos permanecer protegidos dessa severa intempérie. A cozinha era muito espaçosa, peculiaridade até hoje seguida em moradias de sítios e fazendas que, fazem desse compartimento o lugar ideal para reunir familiares e até visitas. No fogão de lenha, brasas e chamas faziam emanar o calor desejado, provocando disputas entre nós em busca de uma proximidade maior ao redor da área mais aquecida. Na chaleira água fervilhando sobre a chapa, não deixando faltar em nenhum momento o cafezinho delicioso, bem puro, descascado no pilão, torrado no ponto e moído na hora. Noitinha bem apropriada, com a presença de todos, para se ouvir histórias fascinantes e arrepiantes, tiradas do folclore e outras crenças até incompreensíveis. Da turma toda eu era o mais novo e muito pequeno, por isso ficava deslumbrado e arrepiado; mas era uma delícia escutar aquelas histórias, ainda que tivesse de dormir com a cabeça coberta a noite inteira. Meu pai e meus irmãos mais velhos eram meus heróis, motivando em mim um exagerado orgulho. E dentre um cafezinho e outro, todos atentos para uma aventura com as mais atraentes histórias. Meu pai sabia florear fábulas de saci, desse ente fantástico, cujas aparições pra ele acontecia sempre no quarto na hora de dormir. Contava com tanta bravura que travava até embate corporal com o lendário e solerte negrinho, apesar de ter uma perna só. A briga se dava quando meu pai tentava tirar o gorrinho vermelho da cabeça do travesso moleque, mas isso nunca foi possível. Ele dizia que quem conseguisse esse feito poderia acumular fortunas e riquezas em abundância. Meus irmãos também não deixavam por menos, destemidos que eram, caminhavam léguas a cavalo até chegar em outras fazendas para namorar no portão durante algumas horas, retornavam pela madrugada e por isso mesmo tinham muito pra contar. __ Era o menino que estava perdido no caminho, pedia a garupa que lhe era dada, e de minuto em minuto ia crescendo chegando a um tamanho sobrenatural até arrastar os pés no chão, e o cavalo suado não suportava mais o peso, mas aquele enorme e gigantesco ente desaparecia somente quando chegava numa santa cruz. Meu outro irmão quando voltava pra casa, era meia noite mais ou menos, encontrou uma mulher que morava na colônia da fazenda, toda transformada com vestes pretas, mesmo assim, chegou reconhecê-la. Eu sou bruxa. Não conte isso a ninguém disse ela ___ Se contar, uma maldição vai lhe acompanhar até a morte. Agora é a vez de mais um irmão, prepare-se, este, de todos é o mais bravateiro, falava com tanta convicção, impondo um realismo extranatural que, numa noite de sexta-feira santa, a madrugada já estava chegando, ao voltar pra casa das andanças que fazia, bem próximo de uma capelinha abandonada na beira da estrada, teve que parar seu cavalo para dar passagem a uma procissão. Seus participantes, todos usavam roupa preta, uma cobertura de pano na cabeça, traziam velas acesas, não tinham uma parte do rosto e seguiam murmurando com palavras ininteligíveis. Todos entravam na capelinha, e, as velas iam se apagando. Era impossível, dizia ele que, uma pequena capela comportasse tanta gente em seu interior. Minha mãe arrematou a história acrescentando, meu filho: __ Os mortos também fazem procissão. Muito bem, a hora já vai tarde, vamos dormir agora dizia minha mãe. Lá fora o frio aumentava, aqui dentro tinha calor demais, do fogo, da satisfação e do coração. Boa noite papai, boa noite mamãe. 

 

 

Abraços, Mário Perini Pascucci

Jornalista - M.T.B. 44983/S.P.



Escrito por Mário Perini Pascucci às 09h54
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